quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

País importa 200 milhões de litros de etanol dos EUA com custo três vezes maior

País importa 200 milhões de litros de etanol dos EUA com custo três vezes maior
A importação de etanol de milho dos Estados Unidos, com custo de produção três vezes maior do que o etanol de cana-de-açúcar produzido no Brasil, continua bombando. A estimativa do setor é de que nos meses de janeiro a março a importação desse etanol atinja o volume de 200 milhões de litros, dos quais 80 milhões de litros serão descarregados nos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) e o restante em portos do Norte e Nordeste.
Nos portos do Nordeste já houve desembarques de etanol estadunidense em São Luís (MA) e Suape (PE). Somente na quinta-feira (13) está prevista a chegada de 1,262 milhões de litros de etanol no porto maranhense.
Desnacionalização do setor sucroalcooleiro e um câmbio totalmente torto, no dizer do governador Eduardo Campos, não poderiam dar em outra coisa a não ser o aumento das importações de etanol. Shell, BP, Bunge e Louis Deyfrus empalmaram empresas brasileiras como Cosan, Santelisa Vale, Moema e Equipav.
Além desses fatores, em 2011, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) mudou regra para viabilizar a importação de álcool dos EUA, aumentando de 0,4% para 1% a quantidade de água permitida no álcool anidro, que é misturado à gasolina vendida nos postos de combustíveis. A mudança ocorreu para ficar adequada com essa especificação que já era adotada nos EUA.
Ou seja, em vez enfrentar a desnacionalização do setor e o desequilíbrio do câmbio, o governo resolveu se adequar às normas norte-americanas para facilitar a importação.
De acordo com o ranking de importações UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), depois dos Estados Unidos (cerca de 97%), Jamaica e Barbados são os países que mais exportam etanol para o Brasil. Uma situação absurda para um país pioneiro no setor, com um território imensamente maior – com 2,9% de sua área agricultável ocupada no cultivo da cana -, que esses dois países do Caribe e também com uma economia muito mais forte, apesar da queda do PIB nos últimos três anos.
Fonte: Hora do Povo


Para Eduardo Campos, os ataques de Gleisi mostram um “jeito vencido de fazer política”

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, rebateu os ataques da ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, que o classificou como "ingrato" por ter feito críticas ao governo de Dilma. .
Eduardo Campos disse na ocasião que o "governo parou o país" e que ninguém "agüenta mais quatro anos do que está aí". Segundo o governador de Pernambuco, a atual política do governo fez a economia parar e "tirou o Brasil dos trilhos do desenvolvimento". A ex-chefe da Casa Civil disse que a manifestação de Campos era "oportunista". Eduardo Campos rebateu dizendo que a reação foi tão irada porque "a crítica pegou". "A reação da senadora Gleisi mostra o jeito precário de fazer e discutir o país. A gente faz uma crítica política, para discutir a macroeconomia e a pessoa vem com ataque pessoal, com desaforo. É um jeito vencido de fazer política", completou.
"Gleisi é a ministra que ajudou o país a parar. Não tem credenciais para atacar o governador mais bem avaliado do Brasil", afirmou o deputado Beto Albuquerque (PSB), também respondendo à ex-ministra. Em audiência no Senado, Gleisi Hoffman tentou defender o governo das críticas que Campos fez à política econômica de Dilma, durante o lançamento das diretrizes de um programa de governo, na semana passada.
O senador Rodrigo Rollemberg (DF) usou o microfone do Senado para rebater os ataques da ex-ministra. Ele disse que o PSB apoiou a eleição de Dilma, mas não podia mais concordar com um governo que exibe índices vergonhosos de analfabetismo, que sofre com apagões em uma área em que a presidente se anunciava como grande gestora, e com gastos de R$ 1 bilhão com termelétricas por falta de uma política energética consistente.
"Nós queremos um debate de propostas para o país, por isso apresentamos um programa para a Nação. Mas seu partido só sabe agredir, desqualificar e denegrir adversários. Como ninguém tem o monopólio da verdade e da ética, como diziam no passado, não iremos nos furtar a fazer os enfrentamentos necessários", avisou Rollemberg. A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) também respondeu às provocações de Gleisi Hoffman.



Fonte: Hora do Povo

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Inauguração do viaduto BRT (Expresso DF)









Nós moradores de Santa Maria e Gama, fomos privilegiados por esta obra que finalmente está chegando em sua reta final, e assim, trazendo benefícios para os usuários do transporte coletivo. Nosso muito obrigado ao Governador(Agnelo Queiroz), vice governador(Tadeu Filipelli), diretor geral do DFTRANS(Campanella) e secretario de transporte do DF(José Walter).

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Ex-secretários do DF prestarão esclarecimentos sobre fraude de R$19 milhõesAlém da diretoria da Gotinha de Luz, em Santa Maria, a Polícia Civil investiga cinco ex-secretários do GDF responsáveis pela assinaturas do convênio com a instituição. Há suspeita de desvio de verba pública e falsificação de notas fiscais


Publicação: 30/01/2014 06:00

Agentes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado escoltam um dos suspeitos no esquema: fraudes supostamente cometidas entre 2004 e 2011 (Ed Alves/CB/D.A Press)
Agentes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado escoltam um dos suspeitos no esquema: fraudes supostamente cometidas entre 2004 e 2011


Cinco ex-secretários do Governo do Distrito Federal (GDF) serão intimados nos próximos dias a prestar esclarecimentos na Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco) da Polícia Civil. Eles devem explicar o porquê de suas assinaturas aparecerem em contratos firmados com a Associação Assistencial de Santa Maria, na qual os dirigentes são suspeitos de desviar quase R$ 20 milhões dos cofres públicos, sendo R$ 8 milhões em notas falsas. A fraude ocorreu entre 2004 e 2011. Seis pessoas, entre elas a presidente, a cofundadora e um diretor administrativo da instituição acabaram presos na manhã de ontem.

Os investigadores identificaram irregularidades na prestação de contas dos responsáveis pela associação— mantenedora da creche Gotinha de Luz, na CL 217 de Santa Maria —, além de apropriação indébita de repasses do GDF para a instituição desativada em 2011. O convênio teve início em 2004 no valor de R$ 426 mil, mas, em sete anos, saltou para mais de R$ 4 milhões (veja gráfico). Quebras dos sigilos bancários revelaram um desvio de quase R$ 400 mil para as contas particulares dos representantes da entidade.

A polícia investiga o destino do restante do dinheiro e não descarta a participação de servidores públicos no esquema. Outras transferências bancárias e saques em caixas eletrônicos também são analisados pela polícia. Há suspeita de envolvimento de pelo menos mais 30 pessoas na fraude. O chefe da Deco ressaltou que deve ouvir cinco ex-secretários de Educação e de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda, que assinaram os convênios com a creche. São eles: Ruinther Jaques Sanfilippo; a atual deputada distrital Eliana Pedrosa; Eunice de Oliveira Ferreira Santos; Regina Vinhaes Gracindo; e José Luiz Valente. “É preciso saber como era feita essa fiscalização e quem era responsável pelos contratos”, informou Fábio de Souza. 

Fonte: correio braziliense

Reunião com a comunidade do Porto Rico em Santa Maria DF

               





 Reunião com a comunidade do Porto Rico, para passar informes sobre o processo de regularização, esta realizada Sábado 25 de Janeiro de 2014 as 16:00 hs na associação de moradores do Porto Rico em Santa Maria DF
            No momento estavam presentes Julia representante do DFTRANS, Marlenor  Paraíba líder comunitário e também o Dr. Geraldo Silva que presta um serviço voluntario na área jurídica à mais de dez anos para a associação.
            Foi  falado também, sobre o processo de regularização e as formas criadas pelo governo para regularizar a área. Em um curto momento a presidente Terezinha da Silva Rocha  fez  explanação sobre todos os órgão envolvidos com a parte de regularização, Começando pelo TAC, que foi assinado em 2008,e sua validade era até Outubro de  2010, Segundo a presidente se não houvesse o cumprimento desse prazo pelos órgãos competentes o Ministério Publico passaria a  cobrar uma multa diária de dez mil reais. Os órgãos são os seguintes: IBAMA, CAESB, CEB, CODHAB, CONAN,ADASA, SUDESA, AGEFIS, NOVACAP e  IBRAM. Segundo a mesma a CAESB Já fez a parte de esgoto, porém  ficou incompleto pois, é como se não tivesse sido feito nada por não ter sido feito o elevatório, que capta todos os resíduos produzidos pela população da área .
             A Construção era para ter iniciado em 2010 e até hoje nada foi feito. Venceram doas licitações e segundo informações existe a verba, porém por motivos políticos e burocráticos, talvez sem data prevista possa ser iniciada este ano.
            A remoção das famílias já era pra ter acontecido mas, também por motivos políticos e burocráticos não aconteceu.
            Dia 24 de janeiro deste ano a presidente da associação esteve na TERRACAP com o Dr. Reginaldo que cuida da parte judiciária das terras do GDF e o mesmo lhe informou que dentro de três meses seriam iniciados os trabalhos no Porto Rico, e em relação as terras, sua titularidade já havia sido decidida pelo juiz Carlos Divino  e informou também que a remoção já era pra ter acontecido e que a Lei 3.877 deixa bem claro que pessoas de baixa renda não têm que pagar novamente pelo seus imóveis entretanto, o senhor Magela Secretário de Regularizações Fundiárias criou uma lei em 2012 que diz que todos têm que pagar  menos aqueles que nunca tiveram nenhum imóvel dado pelo governo, ele so esqueceu de abrir uma exceção para áreas particulares. O advogado Geraldo explicou que todo o processo de regularização e baseado na Constituição Federal e disse ainda , que quando se compra de particular essa lei não se aplica  pois, é um particular vendendo para outro particular e que se entre os  200 moradores que ali se encontram há alguém se sente prejudicado por essa lei , que o mesmo se dirija a Associação para que possa ser feito um acompanhamento de todas as demandas e verificar também a situação junto ao MPDFT .
            A presidente falou também sobre os quilombolas e o TAC  assinado em 2010 pelo governo de Rogério Rosso do qual fala da negociação do governo com o espolio, falou ainda que por causa disso o Porto Rico esta tomado pelo mato, por ser área particular a administração não faz a limpeza e não corta o mato pois os supostos donos da terra cercaram a área e fizeram ate um barraco ma área que pertence a TERRACAP, área essa destinada à construção das moradias das famílias à serem removidas da Área de Proteção Ambiental . resaltou também a questão da entrega de correspondências e disse que em relação aos endereços haverá uma modificação no projeto inicial. Houve também discussão sobre o transporte junto com a representante do DFTRANS.
            A representante do DFTRANS, Julia, no seu discurso, esclareceu para os moradores alguns assuntos relacionados ao transporte publico a convite da Presidenta da associação.
            O papel principal dela foi coletar reclamações e levá-las para a GRC para de lá serem encaminhadas ao DFTRANS. Os moradores falaram  que já fizeram varias reclamações, porém nada foi feito.
            Durante sua explanação, Marlenor Paraíba, deixou bem claro que como morador da cidade, líder comunitário, rodoviário e também usuário do transporte publico entender a revolta do usuário, pois de toda a frota de ônibus que opera em Santa Maria 80% esta na Avenida Alagados e o restante pelas quadras 300/400 sendo assim, notável o erro de distribuição, pois os ônibus que trafegam pela Avenida Alagados atende à todos os moradores das quadras 100/200 e a frota que opera nas quadras 300/400/500/Condomínio Porto Rico operam com apenas os 20% restante isso quando há o cumprimento dos horários sendo que a demanda de passageiros requer muito mais que esse percentual destinado a atender esse parte da população.    É necessário que haja o aumento da frota com urgência para essas quadras, sem diminuir a de outros locais.

            Ainda com a palavra Marlenor Paraíba se comprometeu a entrar nessa luta junto com os moradores disponibilizando-se para fazer abaixo-assinados, com mais de dez mil assinaturas, se necessário,pois acredita que esse problema será resolvido o mais rápido possível, pois o diretor geral do DFTRANS, o Sr Campanella, já solucionou problemas de maior complexidade no transporte do DF, portanto tem toda a convicção de que brevemente haverá um transporte de total qualidade e pontualidade, mas caso isso não ocorra estará a disposição para enfrentar juntamente com a população essa luta.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Petistas deixarão Governo do RJ até sexta, após fim de aliança com PMDB


Reuniões nesta segunda-feira definiram o fim de 7 anos de parceria.
Filiado que não deixar governo pode responder ao conselho de ética do PT.



Carta explica como filiados devem proceder para deixar governo (Foto: Káthia Mello / G1)Carta explica como filiados devem proceder para deixar governo (Foto: Káthia Mello / G1)
Após sete anos de aliança, o PT-RJ e o PMDB-RJ decidiram nesta segunda-feira (27) que os petistas vão deixar o Governo do Rio de Janeiro. Depois de uma reunião à noite, no Centro do Rio, ficou acordado que os políticos do partido têm até sexta-feira (3) para deixarem seus cargos. Segundo o partido do Rio e o prefeito de Maricá, na Região dos Lagos, Washington Quaquá, a separação foi consensual.
Até a mesma data, o governo deve exonerar os secretários Zaqueu Teixeira, da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, e Carlos Minc, da Secretaria de Ambiente. De férias na Bahia, Minc se manifestou sobre o assunto na internet. Ele disse que não tem apego a cargos e que muda o cargo, mas não a pessoa.
"É incompatível estar no partido pertencendo ao governo. Se isso não for cumprido se pode responder ao código de ética do PT" , disse o presidente do partido.
De acordo com Quaquá, além dos dois secretários do governo, o PT tem cerca de 200 filiados trabalhando na equipe de Sérgio Cabral. Segundo ele, esse número é baseado em um levantamento realizado pelo partido nos últimos 15 dias. "Nós cruzamos dados a partir de 2011, no segundo mandato do governo até agora. Continuamos o trabalho para checar se existem remanescentes do primeiro mandato."
A reunião do diretório estadual do partido ocorrida na tarde desta segunda teve participação de 19 dos 22 integrantes da executiva.
Minc: três anos no cargo
O deputado estadual Carlos Minc assumiu pela segunda vez, em janeiro de 2011, o cargo de secretário de Ambiente. Ele esteve à frente da pasta também em 2007 e 2008, quando saiu para assumir o Ministério do Meio Ambiente do governo Lula.
Até a publicação desta reportagem, o secretário não havia comentado oficialmente a saída do governo. Pela manhã, ele postou um comentário em uma rede social (Twitter). "Não tenho apego a cargos. Muda o cargo não muda a pessoa. Fui ministro de Lula e ia à Lapa de táxi, colete, sem segurança", escreveu. Minc está na Bahia desde sexta-feira (24) para compromissos pessoais.
Zaqueu Teixeira assumiu a secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos em 2012. Ele se filiou ao partido em 2002 e trabalhou na Secretaria Nacional de Segurança Pública. Em 2010, Teixeira foi o quinto deputado estadual mais votado do partido.
G1 entrou em contato com a assessoria do secretário, que informou que ele não iria comentar o caso. De acordo com a assessoria, ele está tranquilo e pronto para reassumir o mandato na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Pela manhã, o presidente do PT-RJ se reuniu com o governador Sergio Cabral. No encontro, que durou uma hora, ele disse que com o partido lançando candidatura própria ao governo do estado, a presidente Dilma Rousseff passa a contar com quatro palanques para a campanha da sucessão presidencial. "Com saída do PT do governo, a presidente Dilma ganha um grande palanque, o de Lindberg Faria. Ela passa a contar com quatro palanques no estado dos candidatos: Luiz Fernando Pezão (PMDB), Anthony Garotinho (PR), Marcelo Crivella (PRB) e do próprio Lindberg que vai ser o maior, o melhor. Quanto mais palanques melhor. O PT vai usar todo o seu legado do Rio na campanha", disse Quaquá.

Fonte: G1
Káthia MelloDo G1 Rio

O neoliberalismo nos EUA: pobreza, racismo e campos de concentração


Continuação da edição anterior
Vejamos como o governo Clinton aderiu covardemente – abrindo o caminho, inclusive, para a gravíssima crise econômica que explodiu depois - a sua política de apartheid ou campo de concentração, fazendo o Partido Democrata arrastar na lama (Obama não é um acidente) todo o ideário desenvolvido a partir do governo Franklin Delano Roosevelt (1933–1945)
CARLOS LOPES
Pretendíamos reduzir bastante o nosso resumo das observações de Loïc Wacquant, para encerrar sua publicação neste número. Infelizmente, um apagão acometeu a região onde se localiza a nossa redação. Devido a isso, ficamos sem tempo de reduzir o texto (como dizia o padre Antônio Vieira em carta a um amigo, "desculpe-me, pois não tive tempo para ser breve"). Sua última parte será publicada na próxima edição. Em sua palestra na sede do Goldman Sachs, em Nova Iorque, a presidente Dilma afirmou que "a gestão privada é mais eficiente, mais ágil e de menor custo" - referia-se, evidentemente, à gestão privada estrangeira em relação à gestão pública nacional, estatal, pois estava falando para especuladores norte-americanos, oferecendo a eles a infraestrutura do nosso país. Aqui no Brasil, nós já temos grandes exemplos dessa eficiência, agilidade e modicidade da gestão privada estrangeira: a AES Eletropaulo e a Telefónica, por exemplo.
Continuemos, pois, com um exemplo do tratamento que a ditadura neoliberal dos EUA reserva ao povo de seu próprio país:
"O estabelecimento de toques de recolher, visando manter os menores fora das ruas depois do anoitecer, aplicados essencialmente nos hiperguetos e bairros pobres, é emblemático do aumento da propensão do Estado americano para atirar seu arrastão de polícia e punição mais amplo somente naquelas muitas regiões onde está retraindo a sua rede de segurança [social]. Apontando para o aumento de crimes violentos atribuíveis (ou reflexamente atribuídos) a gangs, 59 das 77 maiores cidades do país instituíram tais proibições, metade delas entre 1990 e 1994. Em Chicago, uma portaria municipal proíbe pessoas com menos de 16 anos de ficar na rua sem autorização entre as 22:30h (nos fins de semana, 23:30h) e 6:00. Desde a metade dos anos 90, numerosos estudos constataram que os toques de recolher não têm qualquer efeito supressivo sobre o crime nas ruas ou sobre os delitos juvenis, e, mesmo, tem sérias consequências criminogênicas. O certo é que esses toques de recolher aumentam de modo significativo as chances de encarceramento de jovens residentes nos bairros urbanos pobres. De acordo com dados do FBI, perto de 75.000 jovens foram presos com essa base em 1992, duas vezes mais do que por roubo (excluindo o roubo de carros) nesse ano. A taxa de prisões por atrasos e violações do toque de recolher mais do que dobrou entre 1992 e 1997, quando atingiu o pico de 700 por 100.000 jovens" (v. "Punishing the Poor: The Neoliberal Government of Social Insecurity", Duke University Press Books, Durham and London, 2009, p.68).
CAPITULAÇÃO
Agora, vejamos como o governo Clinton aderiu covardemente – abrindo o caminho, inclusive, para a gravíssima crise econômica que explodiu depois - a essa política de apartheid ou campo de concentração, fazendo o Partido Democrata arrastar na lama (Obama não é um acidente) todo o ideário desenvolvido a partir do governo Franklin Delano Roosevelt (1933–1945):
"A ‘reforma’ do welfare aprovada pelo Congresso dos EUA e sancionada como lei, no meio de fanfarras, por William Jefferson Clinton em agosto de 1996, causou uma grande comoção nos dois lados do Atlântico. Nos Estados Unidos, a decisão do presidente de endossar uma série de medidas preparadas pelo setor mais reacionário do Partido Republicano, jogando na beira da estrada alguns dos avanços sociais mais preciosos doNew Deal e da guerra à pobreza dos anos 60, não poderia deixar de perturbar o establishment democrata e abalar os seus tradicionais aliados. Numerosas vozes se levantaram, mesmo dentro do governo, para denunciar essa inversão política e a renegação que ela implicava" (v. L. Wacquant, "Punishing the Poor: The Neoliberal Government of Social Insecurity", Duke University Press Books, Durham and London, 2009, p. 77).
FALSA REFORMA
"Vários altos funcionários do Departamento de Saúde e Serviços Sociais, entre eles o diretor de seu ramo de pesquisas, pediram demissão em protesto ao que, segundo as projeções de sua equipe, a dita ‘reforma’ causaria: um crescimento significante das dificuldades para a maior parte dos pobres dos EUA, especialmente as crianças (Clinton recusou-se, aliás, a transmitir ao Congresso os resultados de tais estudos, temendo publicidade negativa).
"A presidente do Children’s Defense Fund, uma íntima amiga pessoal dos Clinton, rompeu publicamente com o casal presidencial, chamando a decisão do líder dos ‘Novos Democratas’ de ‘um ultraje’ (v. "Edelman Decries President’s Betrayal of Promise ‘Not to Hurt Children’", New York Times, 31/07/1996).
"Organizações religiosas, sindicatos, políticos, acadêmicos e ativistas dos direitos sociais, condenaram unanimemente a ‘reforma’. Mesmo o senador centrista Daniel Patrick Moynihan, ponta-de-lança da onda anterior de alteração do welfare, que resultou na aprovação do Family Support Act de 1988, denunciou-a como uma segura fórmula para ‘aumentar a pobreza e o descaso’. E seu colega Paul Simon, de longa data um apoiador de Clinton, tocou o sino de alarme de que a assinatura do pacote do welfaremancharia para sempre o legado do presidente.
"Hugh Price, presidente da Urban League, embora conhecido por sua moderação, resumia o ponto de vista das organizações progressistas nos seguintes termos: "Esta lei é uma execração para as mães e as crianças mais vulneráveis da América. Parece que o Congresso cansou-se da guerra contra a pobreza e decidiu fazer em seu lugar uma guerra contra os pobres" ("Welfare hysteria", The New York Times, 5/08/1996, p. A 11).
ASFIXIA
"Mas o debate foi rapidamente abafado por imperativos eleitorais: tinha-se que tomar cuidado para não interferir com a campanha de reeleição do presidente. Clinton não hesitou em usar esta lei como último recurso para chantagear a ala esquerda de seu próprio partido, argumentando essencialmente o seguinte: "calem-se e reconduzam-me à Casa Branca, pois eu sou o único capaz de suavizar os efeitos mais nefastos desta ‘reforma’". Quanto às forças conservadoras do país, elas só podiam comemorar, ao ver o presidente aderir às suas posições e ratificar um texto de lei em todos os pontos similar àquele que ele mesmo havia vetado duas vezes alguns meses antes (antes da abertura da temporada eleitoral). Assim, a United States Chamber of Commerce, principal organização patronal do país, regozijou-se com o fato de o presidente ter reafirmado ‘a ética do trabalho da América’, enquanto Newt Gingrich, líder dos republicanos no Congresso, evocava com lirismo um ‘momento histórico em que trabalhamos juntos para fazer algo de muito bom para a América’.
"Na Europa, e singularmente na França, não faltaram comentaristas, tão apressados quanto mal informados (a coroa ficaria, sem dúvida, com Claude Imbert, por seus editoriais asininos no Le Point), para apresentar tal medida como um avanço corajoso de um presidente ‘de esquerda’, visando a ‘adaptação’ necessária dos sistemas de proteção às novas realidades econômicas. Segundo esta visão, na qual a ignorância das realidades americanas concorre com a má-fé ideológica, Clinton traçaria o caminho a ser seguido pelas sociedades esclerosadas do Velho Mundo. Este seria o preço da eficiência e do sucesso na impiedosa competição econômica mundial" (v. "Punishing the Poor: The Neoliberal Government of Social Insecurity", Duke University Press Books, Durham and London, 2009).
CONTEÚDO
A dita "reforma" dos serviços sociais de Clinton consistia "em abolir o direito à assistência para as crianças mais desfavorecidas e substituí-lo pela obrigatoriedade do salariado desqualificado e subpago para seus pais. Ela afeta apenas um setor menor dos gastos sociais do Estado americano – aqueles voltados para as famílias pobres, os enfermos e os indigentes -, excluindo os programas que beneficiam as classes médias, habitualmente reagrupados sob a denominaçãosocial insurance, por oposição ao termo maldito welfare(N.A: Temos aí um caso particular de "allodoxia" [tomar um conceito por outro] favorecido pela reinterpretação descontrolada – pois, na maior parte dos casos, inconsciente – que um termo do debate sociopolítico sofre ao passar de um quadro nacional a outro. Assim, os observadores europeus traduzem welfare por Estado do bem estar social, o que remete ao conjunto de sistemas de proteção e de transferência social universalista, enquanto os americanos abrigam sob esta denominação apenas os programas categoriais reservados às populações dependentes da caridade de Estado).
"Longe de inovar, essa ‘reforma’ só fez reciclar remédios vindos diretamente da era colonial e que, no passado, já deram provas de sua ineficácia (v. Michael Katz, ‘In the Shadow of the Poorhouse: A Social History of Welfare in America"’ Basic Books, NY, 1996): estabelecer uma demarcação categórica entre pobres ‘merecedores’ e pobres indolentes, empurrar estes últimos, através da coação, para os segmentos inferiores do mercado de trabalho e ‘corrigir’ os comportamentos supostamente desviantes e desviados que seriam a causa da miséria de uns e outros.
"Sob o manto da ‘reforma’, a ‘lei sobre a responsabilidade individual e o trabalho’, de 1996, instaura o dispositivo social mais retrógrado promulgado por um governo democrático no século XX. Sua aprovação confirma e acelera a substituição progressiva de um (semi) Estado do bem estar para um Estado carcerário e policial, no seio do qual a criminalização da marginalidade e a contenção punitiva das categorias deserdadas fazem as vezes de política social" (op. cit.).
CONTA
"O objetivo declarado dessa lei é combater não a pobreza, mas a pretensa dependência das famílias assistidas em relação aos programas sociais, ou seja enxugar os efetivos e os orçamentos dos programas consagrados aos membros mais vulneráveis da sociedade americana: as mulheres e as crianças do proletariado e do subproletariado e secundariamente os velhos sem recursos e os imigrantes recentes.
"De fato, a reforma de 1996 não toca no Medicare, a assistência médica dos assalariados aposentados, nem nas caixas de aposentadoria Social Security, que, no entanto, são as principais fontes de gastos sociais do Estado americano, com 143 e 419 bilhões de dólares respectivamente, em 1994 [N. HP: O Medicare e aSocial Security são, precisamente, o objetivo dos cortes – isto é, da infame "reforma" - de Obama].
"[A "reforma" de Clinton] atingiu exclusivamente os programas reservados aos mais pobres, o Aid to Families with Dependent Children (AFDC), oSupplemental Security Income (SSI, que atende idosos indigentes e enfermos) e os tíquetes de alimentação (food stamps). Estes programas cobriam apenas uma fração da população oficialmente classificada como pobre: 39 milhões de americanos viviam abaixo do "limiar federal de pobreza", mas menos de 14 milhões (dos quais 9 milhões são crianças) recebiam a verba AFDC (US$ 15 mil por ano – ou US$ 1.250 por mês - para uma família de quatro pessoas). Em 1992, 43% das famílias pobres recebiam alguma ajuda pecuniária, 51% cupons alimentares e apenas 18% se beneficiavam de um auxílio-moradia.
"São os beneficiários da AFDC e dos food stampsque pagaram a conta da "reforma", embora estes programas sejam dez vezes menos custosos que aqueles reservados às classes médias, com 22 bilhões anuais para a AFDC (contabilizando gastos federais e locais juntos) e 23 bilhões para a assistência alimentar. Pois a "lei sobre a responsabilidade individual e o trabalho" prevê a economia de 56 bilhões de dólares em cinco anos, reduzindo o montante das verbas, colocando um teto para sua distribuição e excluindo de seu campo milhões de pessoas com direito a elas – das quais uma maioria de crianças e de pessoas idosas sem recursos.
"Estas medidas draconianas são populares junto ao eleitorado – das classes médias brancas – porque o setor do welfare é percebido essencialmente como beneficiador dos negros. Não importa se a maioria desses beneficiários AFDC são de origem europeia (39% dos beneficiários AFDC são brancos, 37% são afro-americanos e 18% latinos), a ideia fixa continua a ser que a assistência aos pobres só serve para manter na ociosidade e no vício os habitantes do gueto, nos quais encorajaria os "comportamentos antissociais" que o termo meio erudito, meio jornalístico underclass denota ou denuncia. A associação estreita entre assistência social e cor da pele torna os programas particularmente vulneráveis no plano político. Ela permite mobilizar contra este setor do Estado caritativo a força dos estereótipos raciais e dos preconceitos de classe que, ao se combinarem, fazem do pobre do gueto um parasita social, quiçá um verdadeiro "inimigo" da sociedade americana (N.A.: A dimensão racial da "reforma" dos auxílios sociais, fortemente eufemizada, mas onipresente no debate político americano, passou completamente despercebida dos comentaristas europeus).
ABERRAÇÕES
"A justificativa para os cortes brutais é que a assistência social é excessivamente generosa, que ela solapava a vontade de trabalhar de seus beneficiários e que ela sustenta uma ‘cultura de dependência’ tão nociva para os interessados quanto para o país e que essa cultura, por sua vez, explica o aumento dos nascimentos fora do casamento e a sequência de caracteres patológicos que supostamente vêm com eles.
"No debate da ‘reforma’ de 1996, quatro figuras racializadas foram juntadas para oferecer encarnações vivas da dependência e de suas consequências corrosivas: 1) a "rainha do welfare", uma astuta e fecunda matriarca negra que foge do emprego, trapaceia a burocracia da assistência pública e gasta seu alto cheque da assistência em drogas e bebidas, deixando seus muitos filhos em terrível negligência; 2)a mãe adolescente afro-americana, um "bebê tendo bebês", cuja imaturidade só é igualada por sua depravação moral e sexualidade devassa; 3) o "pai ausente" de classe baixa, geralmente negro e desempregado, que engravida mulheres a torto e a direito para levianamente abandoná-las, e a seus filhos, aos cuidados dos contribuintes; 4) e o idoso imigrante do Terceiro Mundo que se esgueira para dentro dos EUA com o objetivo de manipular o welfare e obter, gratuitamente, uma aposentadoria de alta classe.

"Esse quarteto caricatural, orquestrado por um fluxo interminável de informes jornalísticos, políticos e acadêmicos, foi apresentado como a prova viva da natureza fundamentalmente corruptora da assistência pública. O obsessivo foco sobre essas quatro figuras, lideradas pela escandalosa ‘rainha do welfare’, era tão manipulatório que ofuscava o fato de que os beneficiários do AFDC eram, na maioria esmagadora,crianças e não adultos (8,8 milhões contra 3,9 milhões em 1996). Isto significava que as consequências negativas da reforma do welfare seriam suportadas, não por estroinas que esquivavam-se de seus deveres morais, mas principalmente por menores que não podiam ser responsáveis diante das normas de trabalho, sexualidade e matrimônio (ou pagar pelo suposto erro de conduta dos seus pais)".

Fonte: Hora do Povo