quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Eduardo: “Mudar, retomar a esperança, conquistar crescimento com soberania”


Publicamos a intervenção do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que compareceu ao III Congresso do PPL
É uma emoção chegar aqui e encontrar muitos amigos que eu herdei. Amigos da minha família, pessoas que viveram momentos muito importantes da luta popular brasileira aqui no Brasil e no exílio. Pessoas que conviveram com meus tios, com meu avô, com meus amigos. Pessoas que povoaram a minha infância, a minha adolescência e minha formação política. O que nos une aqui é exatamente o sonho, que embala nossas vidas, de construir um país mais justo, mais equilibrado e um país soberano. Um país onde não tenhamos que conviver com o constrangimento das desigualdades, dos desequilíbrios que ainda povoam a vida brasileira.
A história sempre nos colocou do mesmo lado, no mesmo campo, pelejando cada um da sua forma, com mais ou menos intensidade, com compreensão às vezes diversa da atitude mais certa, mas o rumo estratégico da nossa caminhada sempre foi o mesmo.
O PSB e os companheiros do PPL sempre foram pautados pelos valores daqueles que lideraram nossa formação política: a preocupação central com o popular e com o nacional, a necessidade de afirmar a soberania brasileira como valor estratégico para construir a cidadania e a melhoria da vida do nosso povo.
A importância de emancipar o nosso povo, de construir um povo que tenha consciência da nação, de seus direitos, da sua força, da sua capacidade de transformar, que parecem aos que não têm crença impossível de transformar - nessa caminhada nós fomos ajudando e o PPL prestou esse serviço. O PPL foi ajudando a formar quadros para a vida pública brasileira, a formar pessoas que pensam, formulam, animam, questionam. E foram tantos, com quem pude conviver desde o movimento secundarista, estudantil, nas fábricas, nos bairros, na luta pela terra, na luta pelo chão nas cidades.
Nesse processo nós vivemos alguns pactos políticos, pactos políticos que representaram pactos sociais exigidos pelo momento histórico brasileiro. Um importante pacto político, que teve a presença de vocês e a nossa, foi a reconstrução democrática deste país, que custou a vida de muitos militantes e a coragem de tantos outros. Um exemplo de bravura de militantes ainda hoje anônimos, que nos ajudaram a resistir, a poder ir cravando no caminho as estacas necessárias para a reconstrução da institucionalidade brasileira no processo de redemocratização brasileira, tão bem simbolizada pela nossa Assembleia Nacional Constituinte, que teve a participação de todos nós, da luta da sociedade, que se expressou num Congresso que ainda não tinha, como não tem ainda hoje, a representação que gostaríamos que tivesse, as preocupações que gostaríamos que tivesse.
Nesse processo de redemocratização, para que o Brasil seguisse adiante na sua luta, para que o país reencontrasse um projeto de desenvolvimento que cumprisse o papel do crescimento, mas também o papel da sustentabilidade, da inclusão, da possibilidade de gerar um outro quadro social no país, vimos a dívida, tão questionada pelo PPL e pelos seus militantes, sufocar o crescimento do país por duas décadas de submissão absoluta a uma política que nos era imposta de fora para dentro, por governos que capitulavam efetivamente diante da banca, que faziam exatamente o receituário mais duro, para garantir os interesses de uns e negar os interesses do povo.
Vimos que essa luta construiu os espaços para que o Brasil pudesse por fim a um ciclo de duas décadas em que foi efetivamente jogando fora oportunidades, talentos, pessoas, empresas nacionais que foram sendo derrotadas - setores estratégicos da nossa economia onde o Brasil tinha posicionamento importante e fomos perdendo exatamente pela falta de um pensar estratégico, de um pensamento nacional.
Foi assim na área de medicamentos, foi assim no setor metal-mecânico, foi assim no setor de semicondutores, foi assim no setor naval, foi assim no petróleo, foi assim em várias áreas em que o Brasil foi perdendo oportunidades e efetivamente levando um processo que ainda perdura, por exemplo, na redução da nossa indústria na formação das riquezas nacionais.
Esse processo teve com certeza um momento diferenciado nos últimos anos, quando, calcado na estabilidade que nós conquistamos da economia brasileira - e não podemos de forma nenhuma negar que é um pressuposto importante a um processo de desenvolvimento conseguir fundamentos macroeconômicos mais sólidos e conseguir a estabilidade, pois a ausência da estabilidade corrói sobretudo a renda da classe trabalhadora – vemos exatamente o país se preocupar com o grande freio que havia a um crescimento mais pujante da nossa economia.
Porque, mesmo pondo fim a um ciclo inflacionário perverso - por formas que podemos divergir e criticar - nós vimos que isso não foi suficiente para o Brasil retomar um crescimento assemelhado aos seus vizinhos, ou assemelhado ao crescimento do mundo.
Percebemos que a questão social, a questão da desigualdade, era efetivamente um grande freio ao crescimento brasileiro. Todos nós que defendemos o desenvolvimento nacional, sempre chamamos a atenção, lendo os grandes economistas ligados ao nosso campo político, que um país como este não podia renunciar à possibilidade de ter um mercado interno pujante, capaz de reduzir as desigualdades, como um Brasil que poderia incrementar o ciclo de expansão econômica.
Vivemos no governo de presidente Lula um ciclo de inclusão social importante, onde muitos brasileiros, sobretudo os das regiões mais pobres, tiveram a oportunidade de carimbar sua carteira, de abrir um pequeno negócio, de ter direitos a políticas até então negadas pelo Estado brasileiro - que sempre esteve distante de um Brasil real, um Brasil oficial cada vez mais encastelado - e vimos os efeitos desse iniciar de uma justiça social, incipiente, que teve a capacidade de mudar o patamar do crescimento econômico brasileiro.
Nós saímos dos minguados 2% para a casa dos 4% de crescimento médio de 2002 a 2010, nos assemelhamos assim ao que acontecia na América Latina, e com o que acontecia com o mundo.
Mas nós precisávamos, pelo que ficou das décadas perdidas, acelerar até um pouco mais esse crescimento econômico. E fomos atingidos pela maior crise do capitalismo, na sua expressão de capitalismo financeiro, pela irresponsabilidade absoluta de uma banca desregulada que fraudou aplicações e que derreteu trilhões e trilhões de dólares de muitas pessoas que, ingenuamente - e outras não tão ingenuamente assim - depositaram no sistema financeiro suas poupanças, com as quais os derivativos engordaram as burras de muitos e quebraram tantos outros.
A partir dali, cinco anos se passaram. Anos que não têm sido nada fáceis para várias nações mundo afora. Anos que têm sido desafiadores para o Brasil. Em 2009, nós sentimos o efeito desse freio, esse freio que vem de fora, esse freio que surpreendeu a uns, mas não a outros. Um freio que fez o Brasil sacar um conjunto de ferramentas macroeconômicas, claramente keynesianas, que permitiu em 2010 já termos um crescimento de 7,5%. E aí, talvez, esse crescimento tão comemorado, sobretudo se tratando de um ano eleitoral, tenha tirado do nosso campo a possibilidade de fazer um debate mais profundo, sobre o significado de uma crise do capitalismo dessa proporção.
Tínhamos passado duas décadas onde os ventos neoliberais impuseram quase que um pensamento único ao mundo - e nós não fizemos o debate da crise do capitalismo, que vinha da irresponsabilidade da banca, na proporção que deveríamos ter feito.
Para quê? Para tirar as lições e para firmar a necessidade de refazer a leitura do caminho estratégico.
Em 2010, nos limitamos a fazer exatamente um processo eleitoral da forma tradicional, discutimos pouco a crise lá fora. Empobrecemos o debate ali, no processo eleitoral. E não é responsabilidade de A ou de B, mas todos nós somos responsáveis pelo padrão do debate que se estabeleceu. Outros provocaram a forma do debate que descambou muito mais para uma luta eleitoral do que para uma luta política, descambou para assuntos mais religiosos do que para um projeto de desenvolvimento de um país e de uma nação.
A partir dali, começamos a viver uma outra etapa, uma etapa em que as ferramentas utilizadas para anabolizar um determinado crescimento não funcionam como antes. E o Brasil vive três anos em sequência de baixo crescimento econômico, onde se começa a colocar em risco as conquistas que tivemos num passado recente, as conquistas que tivemos não só no plano institucional, no plano democrático.
As instituições começam a ser colocadas mais e mais em questionamento quando a sociedade, cada vez mais incomodada com os pactos políticos, incomodada com as práticas políticas, cada vez mais incluída digitalmente, vendo um Estado analógico com respostas precárias a políticas públicas essenciais, fundamentais para muitos trabalhadores e trabalhadoras, que já não suportam mais a condição de ficar 4, 5 horas por dia dentro de um transporte público cada vez mais ineficiente, numa situação que põe em risco, efetivamente, as conquistas econômicas que tivemos.
Sobretudo se olharmos o que ocorre com a indústria brasileira neste instante, não conseguimos estancar um processo de desindustrialização que nos preocupa sobremaneira - e nós temos que ter um olhar também às conquistas sociais.
Essas conquistas ainda são muito incipientes. Esses milhões de brasileiros que conseguiram um precário trabalho, com uma renda ainda muito baixa, têm hoje, em média, um endividamento que pode representar a metade da renda familiar, ou um pouco mais da metade. Se não retomarmos o ciclo de crescimento econômico, veremos aqueles que ascenderam três ou quatro degraus, descer essa escada de uma vez - em uma situação muito mais vulnerável que antes, carregados, sobretudo, de frustração, de dívidas e de desesperança.
Isso é tudo que não precisamos ver na vida brasileira. Um povo que não tenha esperança de lutar e de construir dias melhores, não vê os obstáculos que são colocados pelos interesses dos que querem manter o desequilíbrio social.
Essa preocupação é o que nos motiva a fazer esse debate nesse momento. Um debate que não é absolutamente contra quem quer que seja. Um debate que não pretende negar a nossa história, a nossa caminhada, e as conquistas que construímos juntos. Mas um debate que tenha, sobretudo, a pretensão de olhar para o futuro do Brasil. E olhar para o futuro do Brasil exige um debate muito mais complexo do que o primarismo a que muitas vezes tentam submeter o debate político no Brasil.
Nós recebemos do PPL um documento para o início desse diálogo. Esse documento trata de teses, de pensamentos e de valores. Eu trago hoje a resposta do PSB, dizendo que são acolhidos fraternalmente pelo nosso partido. Como início de conversa, com muito interesse em fazer esse diálogo nessa perspectiva da história, na perspectiva do que nos trouxe até aqui, da valorização dos passos e das conquistas que tivemos, na necessidade de termos o cuidado com os acúmulos que fizemos na vida pública até aqui e, sobretudo, que tenhamos a ousadia para seguir levando a luta popular brasileira e o desejo de construir mais.
Dentro deste país que mudou, há um outro Brasil, que quer ir muito mais além. Há um outro Brasil que ainda vê muita injustiça, muito desequilíbrio, muitas oportunidades perdidas, que só serão conquistadas se tivermos a oportunidade de fazer um debate de longo prazo.
Não é a discussão da eleição de 2014, que é muito pouco para a etapa histórica que estamos vivendo. Outros blocos, outros países, estão nesse momento fazendo debates que são muito mais profundos do que juntar partidos, tempo de televisão e bancada para votar.
Nós acabamos de assistir a China fazer um grande processo de debate interno, o Partido Comunista chinês fez, com toda a sua experiência de um país que cresce como cresce, e ganhou relevo, como ganhou, numa conjuntura internacional - e que teve de refazer toda a sua compreensão de desenvolvimento interno, de inclusão, de fluxo populacional, de setores econômicos para focar, de matrizes energéticas, de conceitos de cidade e sustentabilidade, olhando para os próximos 10 anos.
Se nós formos ver de perto o que os americanos estão fazendo neste momento nos EUA, e fora dos EUA, em termos de matrizes energéticas – e buscar de volta as fábricas que eles mesmos exportaram em busca de trabalho barato; se olharmos para a Europa e ver o que há de mudança política, foram 12 governos substituídos, na União Europeia, nesse período. Há uma luta intensa pela preservação de direitos conquistados por lutas históricas na Europa. Há um debate irrequieto na academia, mundo afora, em busca de qual é a conceituação institucional para a nova democracia, para respostas que o mundo vai ter que dar a um ciclo de desenvolvimento onde muitas das possibilidades foram esgotadas, sobretudo o padrão de acumulação do capital como ele vinha se dando, vis-à-vis a qualidade de vida, a questão das riquezas naturais.
Esta é uma grande oportunidade para a esquerda, daqui e do mundo, fazer um debate diante de uma crise como a que veio em 2008, diante de uma inquietação social enorme - e nós não podemos mediocrizar o debate neste instante, pelo contrário, nós precisamos embalar esse debate com toda a fraternidade, mas com a grande inquietação de produzir um pacto novo, um pacto social que carregue bandeiras, desejos e sonhos que para nós não são novos. O que as pessoas colocaram nas ruas em junho, são bandeiras que nós carregamos ao longo das nossas vidas todas e nossos partidos sempre abraçaram.
Mas é a hora de construir exatamente a visão de como conquistá-las no tempo de hoje. E eu estou convencido, por tudo que tenho ouvido de tantas pessoas experientes - de pessoas que estão nessa luta há muitos e muitos anos, e que têm experiência histórica não só em lutas aqui no Brasil, mas fora do Brasil - que nós não vamos produzir nada de novo que anime o nosso povo com esse pacto político que está aí. Ele cumpriu um papel - e é preciso que tenhamos coragem.
Sempre temos que ter a capacidade de fazer o novo a partir de experiências e daquilo que fica da velha caminhada. Temos de ter respeito com a caminhada que nós compartilhamos, mas temos que ter, sobretudo, respeito com o futuro do Brasil. E esse respeito com o futuro do Brasil nos obriga a fazer esse debate que propõe o PPL, o PSB, a Rede e outros partidos, e que é preocupação de muitos companheiros que estão no PT, no PDT, no PCdoB, em outros partidos, que é a busca, exatamente, de orientar o pensar estratégico para a próxima década.
O Brasil está diante de uma janela demográfica, nós temos 20 anos em que ainda seremos um país jovem. É como se o Brasil tivesse 25, 30 anos de idade e tenha que definir o que vai fazer, como é que vai caminhar na vida para se consolidar na boa idade, lá na frente. Nós temos que decidir se nós vamos jogar fora o país nesse século ou se nós vamos ocupar essa janela e fazer mudanças que precisam ser feitas, que não podem ser adiadas.
Então, acho muito importante que possamos seguir - e esse Congresso será um instante em que a militância de todo o país, que aqui está para discutir temas como ciência e tecnologia, como política econômica, como as riquezas naturais, como a questão cultural, tudo isso é fundamental - para construir uma base de entendimento programática que possa guiar a nossa luta. Para que nós não possamos ser chamados para a luta eleitoral tradicional, pois não é esse o nosso encanto. Não é esse o nosso papel.
O nosso papel é enxergar o outro caminho, o caminho que vai tomar conta e preservar as nossas conquistas, mas que, sobretudo, vai abrir a estrada para que a luta popular brasileira prossiga, construindo inclusão, um país soberano, um país para os brasileiros, um país feliz, um país equilibrado.
O PSB tem uma esperança muito grande de poder, com a ajuda do PPL, significar uma possibilidade para o povo brasileiro. É por isso que estamos aqui, de maneira fraterna, para abraçar os amigos de sempre. Não estamos aqui como amigos eventuais de um projeto eleitoral ou um projeto de poder. Esse caminho não nos encanta. Nós estamos atrás de um projeto para o Brasil, um projeto que possa estar à altura da história dos que estão aqui neste auditório, que não estão a fim de estarem constrangidos por alianças que matam o sonho, por alianças que freiam o desejo de ir mais longe, e que impossibilitam as mudanças.
É por isso que aqui estamos agradecendo Sérgio, Miguel, a todos, ao Bira, a todos os companheiros que têm construído esse diálogo, ao Pedro, a todos vocês, agradecendo por esse jeito que estamos fazendo esse diálogo, um diálogo que está à altura da nossa história e que carrega muito esperança de que, juntos, haveremos de fazer a boa política, vencer - e vencer as nossas bandeiras de sempre, que são as bandeiras da construção de uma nação soberana e feliz.
Muito obrigado.

Fonte: http://www.horadopovo.com.br/

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

III CONGRESSO NACIONAL DO PÁTRIA LIVRE







Assuntos abordados:
1. Retomar o crescimento econômico, com base na ampliação do investimento público e expansão do mercado interno - redução dos juros, aumentos reais de salários e aposentadorias, mais empregos. 
2. Priorizar as empregos genuinamente nacionais (privadas e estatais) nos financiamento _ especialmente os do BNDES - e nas encomendas do Estado.
3. Transformar o pré-sal num grande fator de desenvolvimento econômico, priorizando a Petrobrás - na exploração e produção do petróleo ali contido - e os fornecedores genuinamente nacionais de equipamentos e insumos para essas atividades. Multiplicar o número de refinarias, expandir a industria petroquímica .
4. Ampliar a infraestrutura - estradas, ferrovias, aeroportos, portos e energia - principalmente através do setor publico, cuja gestão em áreas e empreendedorismo estratégicos é mais apropriada à satisfação dos interesses coletivos.
5.Desenvolver a ciência, a engenharia nacional e os setores de tecnologia de ponta vitais para a nossa independência - especialmente a microeletrônica, informatica, telecomunicações, engenharia genética, energia nuclear, engenharia aeroespacial, materiais estratégicos e a industria da defesa. Retomar o projeto de relativação da Telebras para a universalização da banda larga.
6.Participação do Estado no fomento e principalmente na difusão das realizações dotadas de excelência e relevância para o desenvolvimento da cultura nacional. 
7.Educação e Saúde: pública, gratuita e de qualidade para todos.
8.Transporte de qualidade, a preços populares.
9.Reforma Agrária 
                
                   Em segundo lugar, proponho que o congresso aprove a continuidade e o aprofundamento dessa discussão com o PSB, bem como a sua extensão a outros partidos interessados no mesmo objetivos.

                   Concentremo-nos na definição da política nacional. É para isso que o Brasil necessita do PPL. E essa é a razão principal da nossa existência. Agindo assim, Vamos ganhar tempo para definir com precisão as políticas nos Estados.
                                       
                                                                                                        Muito obrigado. 
         
                                                                                          São Paulo, 30 de Novembro de 2013
  

Centrais cercam BC contra juros e exigem retomada de investimentos


Trabalhadores nas ruas exigiram a retomada dos investimentos e valorização dos salários
 As Centrais Sindicais CUT, Força Sindical, CGTB, CTB, NCST e UGT realizaram uma grande manifestação em Brasília em frente ao Banco Central nesta terça-feira, 26, data da última reunião deste ano do Comitê de Política Monetária (Copom), para cobrar redução das taxas de juros e a retomada dos investimentos.
Nesta quarta-feira, 27, foi anunciada a alta de 0,5% na taxa Selic, elevando a taxa básica de juros para 10% ao ano, índice que nos coloca novamente como ‘número 1’ do mundo em juros altos. Em abril a taxa estava em 7,25% ao ano.
“Com os juros altos, os bancos lucram muito mais. O aumento da taxa Selic só interessa aos bancos e à especulação no mercado financeiro e não à classe trabalhadora, que é prejudicada com o aumento dos juros”, declarou Vagner Freitas, presidente nacional da CUT, durante a manifestação.
 “Os juros altos sangram o país todo ano em R$ 230 bilhões. É por isso que faltam recursos para investimentos, para melhor atender a população em serviços de saúde, educação, transporte e outras necessidades. Juros altos só servem para encher os cofres dos banqueiros e mais nada. Enquanto isso, a indústria está definhando, o país está parado, com a economia no chão. Juros altos não geram empregos, não põem comida na mesa do trabalhador. Não adianta ficar governando só com marketing. Para o Brasil voltar a crescer, o governo tem de reduzir os juros, aumentar os investimentos públicos, apoiar a empresa genuinamente nacional, aumentar os salários e parar com as privatizações, como a entrega de 40% do campo de Libra para o cartel multinacional do petróleo”, afirmou o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira).
O presidente da CTB, Adilson Araújo, ressaltou que “o governo reorientou sua política macroeconômica. O processo de desnacionalização faz empresas nacionais serem compradas por empresas estrangeiras e o dinheiro, que deveria ser usado aqui para saúde e educação, vai para salvar as empresas falidas lá fora”.
Após o anúncio do aumento nesta quarta, as centrais e diversas federações e sindicatos manifestaram o seu repúdio. Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhares no Ramo Financeiro, CONTRAF, denuncia que “o Copom mostra que é surdo, pois não ouviu o clamor das centrais sindicais que ontem mobilizaram 3 mil trabalhadores em frente ao Banco Central e cobraram menos juros e mais emprego”,
Para ele, “não há nenhuma justificativa plausível para elevar os juros (...) A inflação está controlada e o câmbio, estável. Também não há motivos consistentes para avaliações pessimistas sobre os rumos da economia em 2014, como alguns setores econômicos têm feito para pressionar o governo e levar vantagens. O que vemos outra vez é transferência de bilhões de reais de recursos públicos para as instituições financeiras, que detêm 25% da dívida pública, o que representa desestímulo ao crescimento, encarecimento do crédito e freio na geração de empregos e renda”, analisa.
Durante a manifestação, as centrais reafirmaram que não irão sair das ruas enquanto o governo não atender as reivindicações dos trabalhadores, que exigem a retomada do crescimento do país.
“O governo dos trabalhadores não pode penalizar os trabalhadores cada vez que esse grupo [Copom] se reunir. O salário do trabalhador já está defasado, não dá para as necessidades básicas. A Nova Central repudia veementemente o aumento dos juros”, ressalta Gonzaga Negreiros, diretor de Assuntos Parlamentares da Nova Central.
“De que adianta os sindicatos batalharem por ganhos reais com taxas de juros exorbitantes? O aumento da Selic facilita as importações de um lado e reduz as exportações de outro. Em outras palavras, gera empregos no exterior e dificulta a venda de produtos brasileiros para outros países” diz a nota do presidente da Força Sindical, Miguel Torres. “Esta opção trará consequências prejudiciais ao consumo, à produção e ao emprego. A medida demonstra a falta de convicção do governo com relação ao crescimento econômico e, sobretudo, com relação ao desenvolvimento econômico. Para a Força Sindical, a política monetária precisa ser subordinada ao projeto de desenvolvimento do País, e não o contrário”, critica a nota.
Durante a mobilização de terça-feira, após o ato em frente ao BC, os manifestantes saíram em passeata até o Supremo Tribunal Federal (STF) em solidariedade ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares e o deputado José Genoino (PT-SP), presos por decisão do ministro Joaquim Barbosa.

Fonte: http://www.horadopovo.com.br/

quinta-feira, 28 de novembro de 2013


Sobre as causas do insucesso econômico do governo Dilma 
Continuação da edição anterior
A crença, contra todas as evidências dos 80 anos anteriores, de que o motor do crescimento era o investimento privado - e não os gastos, investimentos e financiamentos públicos, que foram tremendamente cortados ou bloqueados a partir de janeiro de 2011, tanto no que se refere ao Orçamento, como, também, às estatais -, fez o governo Dilma operar um retrocesso ao governo Lula
CARLOS LOPES
Vejamos a segunda "crença" que fez o governo Dilma operar um retrocesso em relação ao governo Lula:
2) A crença, contra todas as evidências dos 80 anos anteriores, inclusive àquelas do segundo mandato de Lula, de que o motor do crescimento era o investimento privado - e não os gastos, investimentos e financiamentos públicos, que foram tremendamente cortados ou bloqueados a partir de janeiro de 2011, tanto no que se refere ao Orçamento, como, também, às estatais.
Mesmo se considerarmos o total do desembolso orçamentário (orçamento do ano + restos a pagar de outros anos), houve uma brutal queda nos investimentos e gastos públicos em 2011, em relação ao ano anterior, atingindo funções como saneamento (-32,3%), urbanismo (-16,3%), segurança pública (-20,7%), comércio e serviços (-13,7%), energia (-7,1%), organização agrária (-6,9%), defesa nacional (-1,0%), ciência e tecnologia (-1,0%).
Este quadro geralmente foi ofuscado pelo aumento das despesas financeiras, a que nos referiremos mais adiante. Resta dizer que ele não foi essencialmente diferente em 2012. Mesmo somando os restos a pagar, que correspondem ao orçamento de anos anteriores, somente 19,30% da verba orçamentária de investimento foi liberada (e isso são apenas R$ 22 bilhões dos R$ 114 bilhões autorizados pelo Congresso).
Prestemos atenção a um dado que, até agora, não recebeu o destaque que merece: o investimento efetivo (ou seja, o investimento realmente desembolsado) das estatais federais - estatais produtivas, isto é, não financeiras - comparado ao do ano anterior, levou um tranco de -1,54% em 2011, depois de subir a uma média anual de +28,45% durante o segundo mandato do presidente Lula, segundo mostram os relatórios do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (DEST), do Ministério do Planejamento.
Até mesmo o Grupo Petrobras, cujos investimentos aumentaram 115,88% entre 2007 e 2010, sofreu uma redução nos investimentos efetivamente realizados em 2011 (-4,38%, em relação ao ano anterior). O aumento que houve em 2012 não fez com que retornasse à média anterior. Para que o leitor possa aquilatar a importância disso, lembramos que os investimentos do Grupo Petrobras foram 88,82% dos investimentos das estatais federais (não-financeiras) em 2011, e, em 2012, foram 90,66% desses investimentos.
Estranhamente (ou sintomaticamente), o "argumento" para a redução do investimento público era que este impedia o crescimento do investimento privado, contra toda a nossa história econômica anterior, e a dos outros países, onde os investimentos públicos sempre foram o estímulo por excelência aos investimentos privados.
Este "argumento", realmente, não é original: pelo contrário, ele é recorrente, sob o nome de "hipótese crowding out", nos ataques neoliberais à doutrina do economista inglês John Maynard Keynes. Já houve quem resumisse o "crowding out" à afirmação de que, se o Estado gasta dinheiro para determinado fim, os particulares não veriam razão de também gastar o seu dinheiro para o mesmo fim...
Apesar de caricata, essa versão tem o mérito de expor a falácia do "argumento": no nosso caso, o investimento público somente impediria o investimento privado, se o investimento total da sociedade fosse uma despesa fixa, rígida, imutável, impossível de crescer ou variar quanto a um máximo pré-determinado (certamente que por alguma divindade).
Não entraremos, aqui, no problema da poupança (que, para os neoliberais, constitui um limite intransponível ao investimento, quando, na verdade, é este último que cria a primeira). Mas é preciso ser justo até com o inimigo, por exemplo, neoliberais como Milton Friedman: este, pelo menos, coloca o aumento da taxa de juros - que, na versão dele, sucederia a um aumento da despesa pública por causa dos investimentos públicos - como mediação para o "crowding out". Esquematicamente: o investimento privado seria desviado para a especulação pelo aumento da taxa de juros, que seria provocado pelo aumento da dívida pública, que seria consequência do investimento público.
As coisas não são assim, até porque o Estado pode impor – como, aliás, impõe – as condições para o financiamento de sua dívida (e o investimento público, mais ainda quando também aumenta o investimento privado, cria riqueza, via tributos, também para o Estado, ou seja, para as finanças públicas).
Mas, pelo menos, a ciranda de Friedman, apesar de esquemática e grosseira, não é tão absurda quando as considerações do sr. Mantega, pois, no parecer deste último, o investimento público impediria o investimento privado, mas as altas taxas de juros não teriam esse efeito – tanto assim que o corte do investimento público foi executado ao mesmo tempo em que as taxas básicas de juros eram aumentadas cinco vezes seguidas, com acordo completo de Mantega.
ALIENS
3) Quase como corolário direto da "crença" a que acabamos de nos referir, há outra: a de que o "investimento direto estrangeiro" (IDE) é o fator decisivo para o crescimento do país – e que, para desenvolver o país, o principal setor da economia teriam que ser as filiais de multinacionais.
[Estamos, aqui, evitando a hipótese inversa: a de que a crença no "investimento" estrangeiro como fator principal do desenvolvimento nacional (o paradoxo apenas explicita a incoerência da tese) levou à crença de que o investimento privado é a principal mola do crescimento. Como já demonstramos inúmeras vezes desde 1994, este é o caso dos tucanos mais viscerais, que dedicam um ódio especialmente rancoroso ao empresariado nacional. Mas não parece ser o caso da presidente Dilma, apesar de seus elogios, totalmente descabidos, a Fernando Henrique ("acadêmico inovador", "político habilidoso", "ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação", "presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica", etc.).]
Mas, voltemos ao problema econômico do "investimento direto estrangeiro" (IDE): não se trata, aqui, do capital estrangeiro em geral. Como explicitaremos mais adiante, é evidente que se pode ter a presença de capital estrangeiro sem ferir ou lesar os interesses do país – em especial, sem ferir ou lesar o interesse em crescer e desenvolver-se que é parte do que chamamos Nação.
Estamos nos referindo especificamente ao dinheiro estrangeiro que entra no país para comprar empresas brasileiras, sem contribuir em nada, pelo contrário, para aumentar a taxa de investimento da economia. Mais adiante desenvolveremos a questão, já bastante conhecida dos nossos leitores. Por agora, basta observar que de janeiro de 2011 a outubro de 2013 entraram no país US$ 181 bilhões em "investimento direto estrangeiro" (IDE), ao mesmo tempo que a taxa de investimento, na base móvel trimestral (um indicador de tendência), caía de 20,73% do PIB (4º trimestre de 2010) para 18,86% do PIB (2º trimestre de 2013).
O IDE causou apenas desnacionalização – e, como consequência, desindustrialização, pois as empresas adquiridas por dinheiro externo passaram a fazer suas compras no exterior e a remeter lucros, reduzindo o investimento.
O resultado foi o encolhimento, verdadeiramente estúpido, da participação da indústria de transformação no PIB – e, por consequência, a estagnação atual da economia (e estagnação não deixa de ser um nome caridoso para aquilo que, em realidade, é um tremendo retrocesso). Como diz um economista:
"... o crescimento de longo-prazo depende da composição setorial da produção, mais especificamente depende da participação da indústria de transformação no PIB. Isso porque a indústria é o motor de crescimento de longo-prazo das economias capitalistas uma vez que ela é a fonte ou a principal difusora do progresso técnico para a economia como um todo, é o setor com maiores encadeamentos para frente e para trás na cadeia produtiva, é a fonte das economias estáticas e dinâmicas de escala e o setor cujos produtos possuem a maior elasticidade renda de exportação, permitindo assim o relaxamento da restrição externa ao crescimento. Sendo assim, o crescimento da economia no longo-prazo é extremamente dependente do crescimento da produção industrial.
"... a estagnação recente da economia brasileira é decorrência da estagnação da produção industrial. (…) Como a indústria é o setor da economia que utiliza mais intensamente máquinas e equipamentos não é surpresa se verificar que a estagnação/queda da produção industrial tem sido seguida por uma forte contração da formação bruta de capital fixo da economia brasileira a partir do segundo trimestre de 2011.
O autor aponta o "processo de substituição da produção doméstica por importações, a qual se expressa na brutal elevação do coeficiente de penetração das importações, que passou de 10% em 2003 para 21% em 2012. A substituição da produção doméstica por importações explica o aparente paradoxo do aumento do faturamento da indústria num contexto de estagnação da produção física, uma vez que a indústria brasileira está se transformando crescentemente numa maquiladora" (cf. José Luis Oreiro, "A Macroeconomia da Estagnação com Pleno-Emprego no Brasil", in "A Economia Brasileira na Encruzilhada", AKB, outubro 2013, p. 77 e 80, grifos nossos).
O fato – acrescentamos nós e por nossa inteira responsabilidade – é que não existe crescimento sem indústria nacional. As consequências apontadas, muito justamente, pelo autor que citamos, são consequências da desnacionalização, efetivada através de enxurradas de IDE na economia, sob os aplausos algo oligofrênicos do sr. Mantega, no momento em que os países centrais, acicatados pela crise, emitiam trilhões, especialmente os EUA, mas também a UE (leia-se Alemanha) e o Japão.
Hoje, o nosso país é o quarto maior alvo de IDE no mundo (cf. UNCTAD, "World Investment Report 2013", Genebra, 2013, p. XIV e p. 3).
Os capatazes do IDE costumam agitar o exemplo da China (segunda maior afluência de IDE no mundo, logo após os EUA, com o dobro do influxo de IDE do Brasil) para, supostamente, demonstrar as virtudes da sua panaceia. Um trecho do último relatório da UNCTAD – que é insuspeito, pois seu objetivo é, precisamente, convencer os incautos de que a desnacionalização das suas economias, em proveito dos países imperialistas, é o futuro da humanidade – servirá para termos uma ideia de como é falacioso esse marketing:
"O Estado chinês é o acionista majoritário das 150 maiores empresas do país e as estatais constituem 80% do valor de mercado das ações em Bolsa" (UNCTAD, rel. cit., p. 12).
Essa é a base do crescimento da China.
Quanto aos EUA, já analisamos essa questão, há quase quatro anos, ao abordar o estoque de IDE no mundo:
"... o maior estoque de ‘investimento direto estrangeiro’ do mundo está dentro dos EUA (US$ 2,3 trilhões em 2008). Perto dele, os US$ 378 bilhões de estoque dentro da China são um mero troco. No entanto, não há perigo de que a economia norte-americana seja desnacionalizada por causa disso, ou de que o capital nacional [norte-americano] seja esmagado pelas multinacionais de outros países. E não apenas porque a propriedade em mãos norte-americanas é colossalmente superior, mas porque, da mesma forma que outros países (a própria China, por exemplo), os EUA não permitem que o ‘investimento direto estrangeiro’ compre ou faça qualquer coisa que lhe dê na telha. O governo e o Congresso norte-americanos determinam o que estrangeiros podem ou não comprar - como aprenderam os japoneses e os sauditas. Esse investimento ‘direto’ estrangeiro de US$ 2,3 trilhões nos EUA serve perfeitamente à casta econômica dominante naquele país. De certa forma, é uma "americanização" dos recursos de outros países e não uma desnacionalização da economia dos EUA - apesar de que esse estoque equivale a 16% do PIB norte-americano (v. base de dados da UNCTAD e a última edição do seu relatório anual, "World Investment Report 2009"). A diferença entre o IDE nos EUA e o IDE no Brasil é, fundamentalmente, àquela, já referida, entre um país imperialista e um país que não é imperialista. A dinâmica não é a mesma. Aliás, é oposta" (v. HP 26/02/2010, "O canto das sereias fracassadas 3: o IDE e a hipervalorização do real", grifos atuais).
TAXAS
4) Enquanto isso, ocorria algo que é difícil classificar como "crença", por mais pervertida que seja. Precisamente, o que ocorreu com os juros, como, em parte, já mencionamos.
Correspondendo aos aumentos de juros, que começaram 19 dias depois da posse da presidente, o "superávit primário" - o desvio de verbas para juros - do Governo Central (Tesouro, Previdência e Banco Central) aumentou 18,7% em 2011, em relação a 2010, e as transferências aos bancos a título de juros superaram em muito o "superávit": +45% em relação ao ano anterior. Os aumentos de juros foram (como os atuais) tão absurdos que não podemos dizer que existisse alguma "crença" de que eles atuariam sobre a inflação – que era apenas especulação com commodities no exterior, longe da ação do Banco Central, e nunca esteve, em momento algum, fora de controle.
O que havia era uma ânsia sôfrega por entregar dinheiro aos bancos, fundos e outros especuladores, sobretudo com sede em outros países, e ser "confiável" aos nababos financeiros que haviam apoiado, nas eleições, o adversário da presidente Dilma Rousseff.
Após um período em que – por pressão, inclusive, da própria presidente – as taxas básicas de juros foram reduzidas, voltaram outra vez a aumentar, desta vez sem protestos por parte do governo.
Talvez a pior de todas as "crenças" - a mais nociva para o país – seja a de que aumentos de juros ou juros altos são remédio contra a inflação. Toda a suposta estratégia anti-inflacionária dos neoliberais é, na verdade, um pretexto para descarregar sobre os países periféricos – como o nosso – as mercadorias encalhadas dos monopólios privados dos países centrais, e, ao mesmo tempo, saquear seus recursos monetários, sobretudo os recursos públicos, os recursos do Erário.
Daí a relação dos juros irracionais com a, pessimamente chamada, "âncora cambial". Em suma, esse falso combate à inflação é mero subsídio ao preço das mercadorias importadas às custas do país, tornando-as mais baratas que a produção interna devido à manipulação da taxa de câmbio – a hipervalorização das moedas locais frente ao dólar – induzida pelas altas taxas de juros que atraem montanhas de dólares para dentro do país.
Logo em seguida nos estenderemos um pouco mais sobre o problema. Resta dizer, agora, que altas taxas de juros mais câmbio manipulado para subsidiar importações significam a destruição crescente e violenta da economia do país para favorecer bancos e demais monopólios externos. Nada tem a ver com o combate ou controle da inflação, exceto se o lema for destruir o país para combater a inflação. Sem país, sem produção e sem dinheiro, realmente, é difícil haver inflação. Mas também é difícil que haja população..

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

III CONGRESSO DISTRITAL PARTIDO PÁTRIA LIVRE - DF

 


 


 

 

 
O nosso terceiro congresso representou a força do PPL. Cada participante deste congresso conheceu o verdadeiro significado do partido. Pois nós não criamos apenas um partido cartorial e nem um partido copa do mundo, que aparece de quatro em quatro anos. Mas sim um partido que luta diariamente a favor de um Brasil melhor. Hoje, o PPL está presente por toda parte, defendendo os interesses e o futuro do nosso país, e dizendo não às privatizações, leilão de libra, baixos salários, altos impostos e juros.
ESSA É A NOSSA LUTA!
Agradecemos a presença do nosso Governador Agnelo Queiroz, representantes de outros partidos e a todas as zonais presentes.
                                                                                                                               24/11/2013


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Governo fará obras e reformas para açambarcadores do Galeão e Confins

Aeroportos serão privatizados, já ampliados, com as obras já feitas, e entregues depois da Copa


No dia 22, quando esta edição chegar às bancas, o governo estará privatizando os aeroportos do Galeão, no Rio, e de Confins, em Minas, com a exigência de que o novo “operador aeroportuário” seja uma empresa estrangeira – pois não há empresa brasileira, exceto a Infraero, que se enquadre nas especificações do edital do leilão (v. ANAC, Edital do leilão nº 01/2013 - Concessão para ampliação, manutenção e exploração dos Aeroportos Internacionais do Rio de Janeiro/Galeão – Tancredo Neves/Confins, item 4.45, página 33).
Se o leitor tiver alguma dúvida de que se trata de uma privatização, para dirimi-la bastará uma consulta ao Decreto nº 7.896, de 1º de fevereiro de 2013, assinado pela presidente Dilma: “Art. 1º Ficam incluídos no Programa Nacional de Desestatização - PND, para os fins da Lei nº 9.491, de 9 de setembro de 1997, o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão - Antonio Carlos Jobim (...) e o Aeroporto Internacional Tancredo Neves” (cf. DOU – Seção 1, nº 24, p. 4, 04/02/2013).
A lei nº 9.491/97 é a lei da privatização de Fernando Henrique.
Mas, até como privatização, esse leilão do segundo e quinto maiores aeroportos do país é sui generis: todas as obras para quase triplicar a capacidade do Galeão (de 17,4 milhões de passageiros/ano para 47,2 milhões de passageiros/ano) serão feitas pelo poder público, através da Infraero, antes e mesmo depois do leilão. O mesmo vale para Confins (cf. ANAC, Anexo 3 do Contrato de Concessão - Obras do poder público, p. 2).
Essa ampliação é mais que o dobro do que é esperado para o ano que vem (20,2 milhões de passageiros no Galeão). A “concessionária” não gastará um centavo e levará anos sem precisar realizar obras que não sejam cosméticas. Tudo correrá por conta do Estado para que os açambarcadores recebam os aeroportos já ampliados, com as obras já feitas, em outubro de 2014, depois da Copa.
Resumidamente, correrá por conta exclusivamente do Estado, entre outras as seguiintes obras:
No Galeão - a reforma do Terminal 1 e do Terminal 2;  a implantação de radares de superfície nas pistas; a revitalização dos transformadores; a instalação de geradores; a reforma das demais instalações elétricas; a recuperação e revitalização dos sistemas de pistas e pátios; a restauração das condições operacionais do pavimento da pista de pouso e decolagem - e  até a reforma dos sanitários.
Em Confins – as obras de reforma e ampliação da pista de pouso e do sistema de pátios; a obra de reforma, modernização e ampliação do Terminal 1; a ampliação do Terminal de Aviação Geral (TAG); o estacionamento de veículos; a ampliação e recuperação do sistema de pátios do Terminal 1, do TAG, do Terminal de Carga e do Terminal 3, com a adequação do sistema viário - e até a aquisição de mobiliário para os Terminais.
Para que o leitor tenha uma ideia, todos os anunciados investimentos em 25 anos de concessão (R$ 5,7 bilhões) significariam, se verdadeiros, R$ 228 milhões por ano – com 70% financiados pelo BNDES a juros inferiores à inflação (3% a.a.).
Porém, somente nas obras de ampliação, até setembro do ano que vem, o poder público gastará R$ 376,23 milhões no Galeão (e mais ainda em Confins: R$ 497,21 milhões).
Em troca de não investir nada antes das calendas gregas, os “concessionários” terão obrigações do tipo: “Sempre que a análise demonstrar excesso de demanda em relação à capacidade do aeroporto no período subsequente de 5 (cinco) anos, a Concessionária deverá apresentar uma previsão de investimentos necessários” (cf. ANAC, Contrato - Anexo 02 - Plano de Exploração Aeroportuária Galeão e Confins, 9.12.4, p. 18 e 19, grifo nosso).
Cinco anos??? Pois é, leitor. Se antes não houver um levante nos aeroportos, serão cinco anos seguidos de aperreio (“excesso de demanda em relação à capacidade do aeroporto”), até que a “concessionária” seja obrigada a apresentar uma “previsão” dos  investimentos necessários – e sabe-se lá quando esses investimentos serão realizados... As obras que essas “concessionárias” serão obrigadas a fazer beiram o ridículo (cf. ANAC, Contrato - Anexo 02 - Plano de Exploração Aeroportuária Galeão e Confins, p. 15 e 16).
Propalou-se – deve ter sido o Moreira Franco, agora dedicado às atividades aéreas – que, com a privatização, seriam construídas novas pistas no Galeão e em Confins. Mas, somente quando “a demanda do sistema de pistas [no Galeão] atingir 215.100 movimentos anuais, a Concessionária deverá apresentar à ANAC o anteprojeto e o cronograma detalhado da construção de pelo menos uma pista de pouso e decolagem, com comprimento mínimo de 3.000 metros”, etc. (cf. idem, ponto 8.8.1, p. 16).
No caso do Galeão, não há data para acabar a construção dessa nova pista – o cronograma é determinado pela “concessionária”. No caso de Confins, a data limite é “até 31 de dezembro de 2020”, ou seja, daqui a sete anos.
Lembra-se o leitor do Mantega, da própria Dilma, e outras autoridades (além de várias mediocridades), garantindo que as “concessões” - isto é, a privatização - de aeroportos eram o único jeito de obter investimentos para modernizá-los e preparar o país para a Copa do Mundo?
Pois é.
Na campanha eleitoral, a presidente Dilma afirmou, ao visitar o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: “tenham certeza de que nunca, jamais, me verão tomando decisões ou assumindo posições que signifiquem a entrega das riquezas nacionais a quem quer que seja”. E, em outubro de 2010, portanto, há quase exatos três anos, ao caracterizar o seu adversário e sua base, disse ela: “Essa é a principal diferença entre o nosso governo e a turma do contra: eles só pensam em vender o patrimônio público. Eu acredito que as empresas públicas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento do país”.
O mesmo ponto do edital que implicitamente obriga a presença de uma empresa estrangeira, para substituir a Infraero como “operador aeroportuário”, também estabelece condições que somente podem ser cumpridas pelas grandes operadoras estrangeiras. Por isso, as candidatas a “operador aeroportuário” do Galeão e Confins são as alemãs Fraport (Frankfurt) e Flughafen München (Munique); a suíça Flughafen Zurich (Zurique); a Ferrovial (Heathrow, Londres); a Schipol (Amsterdã); a ADC/HAS (Houston); a ADP (Paris) e a Changi (Singapura). Existe a possibilidade de mais de uma dessas empresas participarem do mesmo consórcio.
Qual a necessidade desse leilão? A necessidade desse leilão, para quem possui a Infraero, considerada internacionalmente a segunda melhor administradora de aeroportos do mundo, é nenhuma.
Até porque os recursos para a sua expansão e reforma, assim como a execução das obras, serão do poder público. Portanto, é a mesma necessidade de perder 40% do maior campo petrolífero do mundo para as multinacionais, quando se possui a Petrobrás: nenhuma, exceto a subserviência e o entreguismo.
CARLOS LOPES
 
 

Presidente Dilma e a robustez fiscal

A presidente Dilma afirmou, no “twitter”, que o Brasil (e, especialmente, o governo) está muito bem porque somos um dos poucos países do mundo que faz “superávit primário”. Disse ela que “segundo projeções, apenas 6 economias do G-20 (Arábia, Itália, Brasil, Turquia, Alemanha e Coreia do Sul) terão superávit primário em 2013”.
A presidente, pelo visto, leu a última edição do “Monitor Fiscal” do FMI. No entanto, deveria confiar mais nos dados dessa publicação do que na arenga que os embrulha. Assim, poderia tirar conclusões próprias, o que sempre é importante para quem governa (e, aliás, para qualquer um).
Até alguns anos atrás, nem mesmo existia o suposto conceito de “superávit primário”. Somente quando o FMI, agindo como leão-de-chácara dos bancos, sobretudo norte-americanos, resolveu estabelecer uma garantia extra para arrancar juros dos países, é que apareceu essa novidade. Rigorosamente, o “superávit primário” é a garantia de que, aconteça o que acontecer, morra quem morrer – crianças, idosos ou seja lá quem for - a pilhagem sobre o dinheiro público continuará locupletando bancos e demais especuladores. Essa garantia é uma espécie de latifúndio ou grilagem sobre o dinheiro público – mais exatamente, um butim composto de verbas públicas destinadas às “despesas primárias” (qualquer despesa não-financeira - ou seja, é um desvio do atendimento à população, da defesa e segurança do país e do estímulo ao crescimento).
Em palavras claras: pelo critério da presidente Dilma, a saúde de uma economia, e de um governo, é determinada pela sua capacidade de desviar verbas da Saúde, Educação, Defesa, etc., para transferi-las, sob a forma de juros, aos bancos e outros achacadores, sobretudo externos, que especulam com papéis públicos à custa de toda a população. É isso o que significa “superávit primário”.
A presidente preferiu mencionar alguns países do G-20. Não explicou – talvez porque o “twitter” não seja veículo apropriado para uma chefe de Estado esclarecer alguma coisa – por que não existe “superávit primário” na China, Índia, Rússia ou África do Sul (cf. IMF, Fiscal Monitor, “Emerging Market Economies: General Government Overall Balance and Primary Balance”, October 2013, p. 73).
Talvez a presidente considere que a economia da China não é “sólida” - ou não é tão “sólida” quanto a do Brasil. Entretanto, por que, entre os BRICS, nosso governo é o único a considerar que entregar dinheiro público à especulação financeira é um sinal de “solidez” ou “disciplina” - ou, como escreveu no “twitter” a presidente, “robustez”?
Também não há “superávit primário” nos EUA, Japão, França, Inglaterra, Suécia, Canadá – e nem na Holanda, apesar de ser, talvez, depois dos EUA, o maior bordel fiscal e especulativo do mundo (cf. op. cit., “Advanced Economies: General Government Overall Balance and Primary Balance”, p. 69).
Somente de passagem, a presidente esqueceu de dizer que entre os países que ela citou, todos, com exceção da Arábia Saudita – que não é um país, mas um feudo petrolífero –, têm um “superávit primário”, em termos de PIB, menor que o projetado para o Brasil em 2013. As projeções são as seguintes: Itália: 2% do PIB; Turquia: 0,7%; Alemanha: 1,7%; Coreia do Sul: 0,5%; Brasil: 2,3% do PIB.
No mundo todo, entre 150 países, “desenvolvidos” ou “emergentes”, só há “superávit primário” em 16, segundo a publicação do FMI. Em alguns poucos – como a Noruega – o “superávit primário” é apenas um efeito do superávit orçamentário geral: com um PIB per capita de US$ 55 mil, devido aos ganhos das estatais do petróleo e à pequena população (c. 5 milhões de habitantes), o governo norueguês não consegue gastar todas as entradas orçamentárias do ano; nesse caso, o superávit não é desvio de verbas, mas poupança efetiva. Algo semelhante, mas por outros motivos, ocorre na Suíça e na Bélgica.
Fora isso, estamos na companhia da Colômbia (0,7% do PIB), Hungria (1,2%), Peru (1,1%), Filipinas (1,8%), Islândia (1,1%) e Singapura (3,8%). Todos, com exceção da última, com “superávits primários” menores que o nosso em termos de PIB.
Mas, disse a presidente, “é impossível executar grandes projetos de saúde, de mobilidade urbana e de educação sem cuidar atentamente da robustez fiscal do País”.
Nesse caso, temos uma discordância que, antes de ser política, é aritmética: pois, o que a frase da presidente significa é que só é possível “executar grandes projetos” com menos dinheiro para eles – pois a “robustez fiscal” de que ela fala é, exatamente, o desvio de verbas da saúde, mobilidade urbana, educação, etc., para os juros, isto é, os bancos.
Quase por último, quanto a “o Brasil tem uma economia sólida e, por isso, tem recebido investimentos externos vultuosos, como comprova o leilão de Libra”, nossa opinião é que a Petrobrás é muito mais representativa da solidez da nossa economia do que a Shell e a Total – para as quais o país, no leilão de Libra, perdeu 40% na exploração do maior campo petrolífero do mundo.
Estamos de pleno acordo em que “quem aposta contra o Brasil sempre perde”. Mas nenhum brasileiro aposta o Brasil, assim como não aposta a sua genitora, a sua mulher (ou marido), ou os seus filhos. A vida não é um cassino. Exceto para os que apostam em banqueiros e multinacionais.